Por: Professora Msd: Milena Dutra
Anatomia do Cotovelo
O cotovelo é formado por três articulações, a articulação ulnoumeral, radioumeral e radioulnar proximal (figura 1) (SMITH, 1997). Composto por três ossos: úmero distal, ulna e radio proximal, ditam os padrões de movimento do cotovelo. As limitações ósseas, o apoio ligamentar (figura2), capsula (figura 3) e a estabilidade muscular ajudam a proteger o cotovelo da venerabilidade das lesões (KISNER, 2004; PRENTICE, 2003).

3- Capsula articular do cotovelo
Os estabilizadores dinâmicos do complexo do cotovelo são os flexores do cotovelo, bíceps braquial, braquial e braquirradial (figura 4). Os extensores são os músculos tríceps braquial e ancôneo (figura 5). Já a região do antebraço compreende pelos músculos profundos e superficiais. Os profundos são os pronadores redondo e quadrado e supinadores (figura 6), assim como flexores e extensores do punho (7 e 8) (SMITH, 1997).
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Funções do Cotovelo
O cotovelo desempenha um papel importante nas atividades funcionais do membro superior. Permite cerca de 145 graus de flexão e zero de extensão, 90 de supinação e pronação. A cápsula como mencionado é uma ligação proprioceptiva entre o segmento superior e a mão. Do ponto de vista funcional o ombro e a mão precisam do cotovelo para que o movimento normal ocorra (PRENTICE, 2003).
Biomecânica do Cotovelo
O movimento do cotovelo envolve a rotação da ulna em torno do úmero durante a flexão e extensão. Os movimentos acessórios desta articulação são mínimos comparado com o restante, porém as rotações da articulação radioulnar são extravagantes, e são elas as responsáveis pela pronação e supinação do antebraço (SMITH, 1997). A pronação associada à flexão do cotovelo dão a esta articulação grande capacidade de sustentação de cargas, auxiliada pelo ângulo de carregamento quando este mecanismo acontece em extensão.
Principais patologias do Cotovelo: diagnóstico clínico e tratamento
Curiosidade: as epicondilites descritas a seguir seguem o raciocínio fisiopatológico das famosas TENDINITES. Se você prestou atenção no capitulo do ombro você deve recordar da progressão desta inflamação do tendão denominada tendinite. Você se lembra?
TENDINITE evolui para TENDINOSE/TENDINOPATIA, que evolui para ROPTURAS
Alguns autores acreditam que a inflamação não é a etiologia principal da epicondilite e sim desencadeante de um envelhecimento fisiológico dos tendões
Os epicôndilos medial e lateral da parte distal do úmero são as inserções do tendão dos flexores e extensores do punho (figura 9) (PRENTICE, 2003).
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Epicondilite Medial
A epicondilite medial de cotovelo ou também chamada de cotovelo de golfista é a inflamação dos tendões dos flexores do punho (figuras 10). O corre geralmente como resultado do microtrauma repetitivo no músculo pronador redondo e flexor radial do carpo, durante a pronação e flexão do punho excessiva (PRENTICE, 2003).
Quadro Clínico: sinais e sintomas
Geralmente ocorre dor na face medial do cotovelo, que aumentada com a pronação do antebraço. A dor se exercerba durante um arremeço de bola, saque, golpe de direita na raquete, puxada na braçada para trás na natação ou na batida no golfe. Há também diminuição da força muscular dos flexores do punho e diminuição da amplitude de movimento levando a uma incapacidade funcional.
Diagnóstico:
O diagnóstico das epicondilites é feito pelo médico através do quadro clínico apresentado e exames de imagem. Para HOPPENFELD (2001), fisioterapeutas e educadores físicos podem suspeitar de inflamação dos dendões que partem dos epicôndilos, durante a execução de algum movimento de seu aluno e com isso, será necessário uma avaliação física minuciosa do quadro. Este autor preconiza a avaliação da epicondilite medial através do teste clínico para tal.
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Epicondilite Lateral
A epicondilite lateral de cotovelo ou também chamada de cotovelo de tenista é a inflamação dos tendões dos extensores do punho. Resulta em seu aparecimento por sobrecarga dos extensores e supinadores do punho, mais comumente o extensor radial curto do carpo (figuras 11) (PRENTICE, 2003).
Quadro Clínico: sinais e sintomas
A dor esta presente ao longo da região lateral do cotovelo, particularmente na extensão do punho contra a resistência. Aparece no golpe de esquerda do tênis. Mas não acomete somente atletas, a epicondilite lateral pode aparecer em outras modalidades de raquete, trabalhos e hobbies como digitar, usar o mouse do computador, tricô, jardinagem, usar tesoura, tocar instrumento musical. Ocupações manuais como pintor, marceneiro, encanador, pedreiro, usar chave de parafuso ou martelo.
Diagnóstico:
HOPPENFELD (2001) indica a realização do teste clínico para cotovelo de tenista durante a anamnese ou a qualquer momento de percepção de dor no cotovelo durante a execução de um exercício.
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Tratamento da Epicondilites
O tratamento inclui compressas de gelo sobre o cotovelo por 8 minutos, seguido de 3 minutos sem gelo, na fase aguda com dor. Repetir esse ciclo até completar 30 minutos, por 3 ou 4 dias ou até que a dor desapareça. Liberação miofascial para evitar fibrose e melhorar distribuição do colágeno. O médico poderá recomendar uso de medicamento antiinflamatório, por2 a4 semanas e imobilização, através de repouso do segmento acometido por 7 dias se houver somente inflamação e por 14 dias se tiver laceração das fibras tendíneas e musculares.Nestas semanas é proibido alongamentos e treinamento de força muscular. Os exercícios de alongamento e força só poderão ser realizados após total desaparecimento da dor, com intensidade baixa no primeiro mês, e progressão gradativa. Trabalhe os músculos profundos não apenas os superficiais e não esqueça a propriocepção. Em casos severos de lesão com roturas tendíneas, cirurgia poderá ser recomendada.
Durante a recuperação da lesão, o esporte anteriormente praticado deve ser substituído por um que não piore a condição. Por exemplo: correr ao invés de jogar tênis.Para jogar tênis, provavelmente, será necessário o uso de uma raquete com uma empunhadura maior e poderá sugerir melhoras na maneira de empunhar ou de realizar os movimentos do jogo com a raquete. O objetivo da reabilitação é que o retorno do individuo ao esporte ou à atividade aconteça o mais breve e seguramente possível. O retorno precoce poderá agravar a lesão, o que pode levar a um dano permanente. Todos se recuperam de lesões em velocidades diferentes e, por isso, para retornar ao esporte ou à atividade, não existe um tempo exato, mas quanto antes o médico for consultado, melhor.
Reabilitação e prescrição de exercícios para as principais patologias do cotovelo
Exercícios para Epicondilite Medial
Alongamentos:
Alongue os flexores e extensores do punho diariamente, enfoque uma repetição a mais para os flexores, mantenha a sustentação por 20 segundos e relaxe, realize o alongamento em ausência de dor antes da mobilização articular (figuras 12).
Mobilidade articular:
As movimentações livres de punho e dedos ajudam a produzir líquido sinovial e melhorar a nutrição intra-articular. Maitland (2007) relata a necessidade de ganhar e manter os movimentos de deslizamentos entre os ossos para facilitar a amplitude de movimento subseqüente. Realize movimentos circulares com punho de2 a5 minutos ou em séries de2 a3 com15 a30 repetições. Evite estas condutas durante o processo inflamatório é necessário estar sem dor para realizá-las (figura 13).
Fortalecimento
O fortalecimento deve ser feito para as musculaturas profundas e superficiais do punho. Trabalhe pronadores, supinadores, desvio radial e ulnal e só então siga para flexão e extensão de punho. Inicie o treinamento em 3 séries de 15 repetições, com intensidade baixa e progrida lentamente. O protocolo é o mesmo para lesões pós inflamação, quanto tendinoses. Não abuse da carga, pois um tendão parcialmente estirado pode vir a se romper, dores excessivas ao longo do treinamento é sinal que se deve retroceder. Não trabalhe apenas as isometrias concomitantemente a outros exercícios, o treino isotônico é de fundamental importância, use theraband amarelo, siga para o verde após 3 semanas e assim sucessivamente até chegar nos pesos e aparelhos de musculação. Não esqueça do treinamento para braquiradial e que seu enfoque deve ser dado aos flexores de punho.
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Não exagere na carga, faça exercícios leves, use o theraband, e trabalhe músculos de profundo para superficial !!
Propriocepção
Aplique os exercícios de propriocepção indicados no capitulo do ombro. Eles abrangem todo o membro superior incluindo punho e mão. Movimentos livres com bolinhas cheia de água ou guizos podem ajudar para especificar o punho.
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Exercícios para Epicondilite Lateral
Alongamentos:
Alongue os flexores e extensores do punho diariamente, enfoque uma repetição a mais para os extensores, mantenha a sustentação por 20 segundos e relaxe, realize o alongamento em ausência de dor antes da mobilização articular descrita anteriormente (figuras 14).
Fortalecimento:
As orientações para fortalecimento e propriocepção devem seguir as descritas anteriormente. Na epicondilite lateral seu enfoque para o treinamento de força são os extensores do punho, mas treinar somente eles não irá corrigir o problema, a resistência muscular tem que vir de dentro para fora por isso o treinamento deve seguir a ordem de força da musculatura profunda e superficial do punho. E não esqueça a propriocepção.












